Existe um comportamento inerente da ERA das Redes Sociais que está a cada dia mais acentuado e digamos, “importante”: o ato de fotografar....TUDO! Antigamente, dada as tecnologias um tanto primária das câmeras fotográficas, era impossível ficar tirando fotografia de qualquer acontecimento, mesmo porque isso custaria muito dinheiro (lembram dos “rolos de filmes” que você tinha que mandar revelar?) . Com o avanço tecnológico apareceram às câmeras digitais, mais adiante webcams e posteriormente celulares com câmeras e hoje não existe um bendito equipamento eletrônico que não tenha uma câmera embutida, até geladeira já tem o que é um tanto assustador já que apenas um gordo orgulhoso de ser gordo gostaria de ter sua imagem registrada a cada assalto a geladeira.
Paralelo ao progresso tecnológico da fotografia, tivemos o advento das redes sociais, que teve no seu inicio, o aparecimento do sempre constrangedor FOTOLOG. Foi nessa rede que o hábito de tirar fotografias de tudo começou a engatinhar. Em seguida, surgiram o Orkut, MySpace, Facebook e outros e o tal CFC - comportamento fotográfico compulsivo - tomou formas mais amplas, atingindo todas as classes e credos. Todo mundo postava suas fotos para receber os comentários de outras pessoas... que na maioria das vezes se resumia a um elogio falso à uma imagem que a pessoa sequer viu. Isso, de certa forma, era tudo que as pessoas queriam para alimentar seus egos fracos e abatidos pelo cotidiano.
Assim, não demorou muito para uma mania coletiva crescer exponencialmente. Fotografar já não era mais uma opção, tornou-se uma necessidade. E hoje, temos pessoas que fazem tudo em função disso: fotografar. O acontecimento, evento, aprendizado, entretenimento em si acabaram menos importantes que a fotografia retirada deles. O acontecimento ganha importância na mente desses infelizes se existir uma imagem que registre e que possa ser repassada para o maior número de pessoas possíveis. E nesse paradigma os exageros tornam-se comuns. Sujeito vai tomar café tira uma foto. Vai almoçar, tira uma foto. Caminha pela rua, tira uma foto. Faz qualquer coisa que não é de interesse de ninguém, a não ser dele próprio, tira uma foto. Depois posta na sua rede e coloca o título tão inútil quanto e que sempre tende ao descolado. Contudo, “ser descolado” é diretamente proporcional a ausência de esforço para atingir esse objetivo, em outras palavras, não dar menor importância para isso e ser espontâneo, o que torna a imagem e o título da foto geralmente o inverso desse termo e deixa as pessoas um "pouquinho" incomodadas. Sem contar naquele habito miserável que essa mulherada tem de ficar tirando 500 fotos, no mesmo ambiente, apenas com poses levemente alteradas e que você demora a identificar qual é a diferença entre essa foto e todas as 32 anteriores.
Para ilustrar o que foi dito anteriormente, vou colocar o dialogo com uma amiga (que desencadeou a criação desse texto). Perguntei a ela como havia sido o Espegato e a resposta foi a seguinte:
“_ Nossa, foi bem legal, deu de tirar um monte de fotos!”
No fim, a única coisa que uma pessoa sensata conclui é que você está condenado a viver numa mundo de idiotas. Não que você também não seja idiota mas é que idiotice é uma escala, como graus Celsius. E quando você dá mais importância para o que vive, em determinados momentos triviais e menos para os registros de imagens destinadas para o conhecimento e opiniões de outrem ou para alimentar o seu ego, você se encontra em muito abaixo no grau Idiota. Bom, pelo menos do meu ponto de vista. Logicamente, idiotice também é relativa.


















